Rio de Janeiro

Rio fulminante

Armando Freitas Filho

A cidade se abre como um jornal: flash flã flagrante na folha que o vento leva, no grito impresso que voa, na voz, com a manchete: LUTE NO AR, atravessando as veredas da avenida, sob a paixão do sol, e das montanhas teatrais que cercam, com grandes gestos de ópera, a cidade. O primeiro arranha-céu foi a pedra do Pão de Açúcar: monumento onde o mar se amarra, o mato cresce no pedestal e o abraço da baía completa o cenário – o lugar-comum –, o que já estava escrito pelos cronistas lapidares e por mim, quase com as mesmas palavras.

Pão-de-Açúcar

Todo céu é anônimo, embora os cartões-postais tentem localizá-lo. Este aqui está sobre as ondas desenhadas, pedra por pedra na calçada litorânea. Um diagrama em preto e branco do movimento do mar defronte, como se fosse um pedaço de filme antigo: um dia de 1950 em Copacabana, Oceano Atlântico.

Leve uma sereia de suvenir, ao vivo, molhada de suor, mas, se não puder, leve sua pele sem pudor, ou o vídeo do mar onde ela vive e espuma. Onde a onda do seu corpo, presa em flagrante, pega impulso e apanha, antes de quebrar, todo o olhar do sol. Ler na areia, na revista do domingo, que ficou para trás, no fim da tarde, que a praia é a permanente risada do mar. Ver nas fotos, nas páginas viradas, os mesmo coqueiros que pressinto aqui, em ordem unida, perfilados, sentinelas – estáticos e estéticos – defronte do horizonte. E impressa no céu, a Pedra da Gávea, os Dois Irmãos, onde passam e pousam inúmeras nuvens, que são falsos anjos que se desmancham.

Ler na areia, na revista do domingo, que ficou para trás, no fim da tarde, que a praia é a permanente risada do mar.”

O círculo cinza cinge o campo: cinto de ferro, abraço de pedra. Curvas calculadas no cimento: cruas marquises marcadas, as rampas se arrumam. Rimas, ritmos, rumos rodeiam o estádio estático à escuta: elipse sem lapso, degraus granulados de concreto armado. Plantadas a prumo, as multidões aturdidas, as torcidas em tumulto no atordoante alvoroço, na balbúrdia de brados, na batalha de braços, bandeiras e bocas, desfraldadas, abertas. O gramado se franze, inflama as arquibancadas, balançam as flâmulas ágeis com a ginga do jogo, que gera um gesto, um grito – gol! Tudo, então, é um Maracanã sem amanhã: susto de montanha, detalhe de mar morrendo – o sol sumindo.Arcos da Lapa

Aqui, nessa cidade mui leal etc., onde flecham os sãos e os santos, nos dias elementares das favelas, escrevo em todos os sentidos. E com todos eles, é meu ofício, luto por um lugar ao sol, na praia cheia e no domingo, embora possa me queimar. Mas quem saiu na chuva é para deixar – vale o escrito e o escarrado – como é costume neste sítio, o dito pelo não dito.

A cidade me rende mil montanhas, o mar, que de tão onipresente não é mais visto, nem a maresia, sentida.”

Encostado no céu, o Cristo, cercado de antenas de TV, assina em cruz todas as folhas da paisagem, autentica o panorama, o Corcovado, sobre essa baía que também abre os braços, e é a paixão dos Fortes, e que só um pintor de domingo, apoiado no paredão da Urca, saberá retratar em veras cores, o amanhecer e o pôr do sol arrebatados, que por aqui ainda se fazem, antes que aluguem até o olhar desse lugar e construam uma torre, um edifício – ad infinitum.

A cidade me rende mil montanhas, o mar, que de tão onipresente não é mais visto, nem a maresia, sentida. O céu passa abreviado, o coração para sob o sol obrigatório, que continua batendo até o suicídio de cada dia, de todas as cores, na noite, onde morrem convictas estrelas traçantes, no palco armado para a lua.

Sobre o autor

Armando Freitas Filho é poeta. Autor de Palavra, Dual, 3×4 (Prêmio Jabuti de poesia,1986), Números anônimos, Fio terra, Raro mar, entre outros. Reuniu sua obra poética em Máquina de escrever (2003).

  • augusto

    temos o estado rei pelé o melhor gramado do brasil
    espero que veinha uma seleçâo treinar aqui em maçeió
    e conhecer nossa cultura

  • emanuelly

    eu nao tenho o jogo da cidade maravilhosa mais a minha amiga tem e muito bom a primeira vez que eu vi eu amei e muit bom mesmo vcs que nao tem esta perdendo thal beijoa……………………..e bom de mais

  • já é hexa nosso brasil em cima
    da argentina

  • Espero q essa copa seja espetacular pq irei ver o jogo

  • ricardo

    vamos lá brasil vamos ganhar se não eu não vou ver

  • Sim, eu apóio, não só a COPA, como também as olimíadas, é um gasto desnecessário, as Rede Públicas da Saúde, Educação, estão falidas, fizeram a COPA para encher o bolso das Empreiteiras como a DELTA que monopolizou todas as obras e serviços no RIO DE JANEIRO. E todos sabem que O DONO DA DELTA, são amigos do Governador e Prefeito. E nos outros Estados, deve acontecer o mesmo.
    DINHEIRO PARA OS APOSENTADOS QUE GANHAM ACIMA DE UM MÍNIMO NÃO TEM, OS BOMBEIROS, TAMBÉM NÃO, OS PROFESSORES.