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Brasil Imperdível Acompanhe um país imperdível

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  • João Felipe da Trindade

    Nova Amsterdam e o Forte Keulen
    Natal e Nova Amsterdam eram duas localidades diferentes na Capitania do Rio Grande, como se pode ver abaixo e conforme alguns de nossos historiadores.

    Quando Joan Nieuhof, que viveu aqui de 1640 até 1649, servindo os holandeses, descreveu sobre a Capitania do Rio Grande, no seu livro Memorável viagem marítima e terrestre ao Brasil: acima do Rio (Potengi), há uma cidade de pequena importância, denominada Amsterdam. Seus habitantes vivem da pesca, da produção de farinha e do plantio de fumo. Mais ao norte vivem alguns camponeses que se ocupam em cultivar a terra; entretanto, a região que se estende ao norte do Rio Grande é apenas escassamente habitada.

    Sobre o Rio Potengi, escreveu:
    O Rio Grande, assim chamado pelos portugueses devido ao seu considerável volume, é conhecido entre os naturais pelo nome de Potengi e tem a sua foz a 5º e 42’ de latitude sul, ou sejam três milhas de Ponta Negra, para quem vem da parte ocidental do continente. Desemboca quatro milhas acima do Forte Keulen, conhecido pelos portugueses de Três Reis, e seu estuário pode abrigar navios de grande calado. Já o rio Cunhaú só é navegável por barcas e pequenos navios. As baías que se encontram nesta Capitania são: Baía Formosa, Ponta Negra, Ponta de Pipas e a Baía de Tijssens. A Baía de Ginepabu fica ao norte, além de um rio denominado Guasiavi, junto à qual se ergue a vila Atape Wappa. Ainda um pouco mais ao norte encontra-se o rio Ceará-Mirim, e perto da Aldeia de Natal e do forte dos Reis, passa um rio conhecido por Rio da Cruz que nasce de um pequeno lago no Rio Grande. Em frente ao mesmo forte um riacho aflue para o Rio Grande, entre dois bancos de terra, e não muito distante dalí, encontra-se ainda outro rio de água salgada.

    Sobre o Forte dos Três Reis escreveu:
    O Forte Keulen era um quadrilátero construído sobre rocha, ou melhor, sobre a ponta de um recife, a alguma distância da praia, de fronte à foz do rio Recife. Inteiramente cercado de água, na preamar, não se podia atingí-lo senão embarcado. Há, no centro desse forte, uma capelinha, onde, em 1645 ou 1646, os holandeses descobriram um poço de cerca de meio pé de diâmetro na boca e três no fundo, aberto na rocha viva, por onde afluía água doce e fresca todas as marés altas. Nas marés comuns dava cerca de 255 potes de água potável mas, nas de plenilúnio, chegava a dar 350, suprimento esse mais que suficiente para consumo da guarnição em caso de sítio. O forte é construído de blocos de pedra e defendido, do lado da praia, por dois meios baluartes em forma de corna. Em 1646 sua artilharia constava de 29 peças de bronze e de ferro. Dispunha também de bom paiol e confortáveis alojamentos para a soldadesca.

    Continuando sua descrição, escreveu: Este forte foi capturado pelos holandeses sob o comando de Mathias van Keulen um dos governadores da Companhia, o qual foi auxiliado por vários capitães de valor, tais como Byma, Kloppenburgh, Lichthart, Garstman e Masnfelt. Van Keulen para lá se dirigiu à frente de 808 homens embarcados em 4 navios e 7 iates. Keulen apoderou-se, não apenas do forte, mas, ainda de toda a Capitania. Foi então que a velha fortaleza de Três Reis passou a chamar-se forte Keulen, em homenagem aos chefe da expedição.

    O livro de Nieuhof está disponível em submarino. USP.

    • João Felipe, obrigado pelo comentário e por enriquecer a discussão.

      A ideia de escrever um post sobre esse tema surgiu a partir de uma informação encontrada no Portal de Turismo da Prefeitura de Natal, que foi também a nossa principal fonte para a redação do texto. Veja a página sobre a história da capital potiguar: http://turismo.natal.rn.gov.br/historia/ctd-11.html Repare que, no quarto parágrafo, há a informação de que Natal foi chamada de “Nova Amsterdã” e o Forte dos Três Reis de “Forte Kenlen”.

      Depois de ver essa informação, consultamos outras fontes para redigir o post, como a Wikipédia (1 e 2), o IBGE, sites de história do Brasil, além de jornais e portais.

      Talvez, seja algum engano em relação às coordenadas geográficas ou um grande mal entendido histórico, mas muitas instituições e veículos de comunicação consideram a história relatada no post como verídica.

      Nós também consideramos que sim. Mas não há nada que não possa ser refutado, não é mesmo?

      Sobre o forte, vale dizer que algumas das fontes que consultamos também consideram a grafia Keulen.